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Dança Turnê / Exibição

«REDIV» Sob o signo da videodança

Dancer Anastassia Goiburu during her participation at Crear en Libertad - 18 Encuentro Internacional de Danza y Artes Contemporáneas (c)Cristian Palacios

por Katja Zellweger

COINCIDÊNCIA/Pro Helvetia apoia pelo terceiro ano a Rede Ibero-Americana de Videodança, REDIV (Red Iberoamericana de Videodanza), criada em 2016. O apoio contribuiu a realização de dois encontros anuais, a formação de grupos de trabalho temáticos, o desenvolvimento de sua independência financeira, além de facilitar a cooperação entre mais de 20 festivais, colaboradores e projetos da América Latina e da península Ibérica.

Além de viabilizar a produção de trabalhos, a REDIV organiza apresentações de vídeos, viagens de artistas, divulgação de conteúdos, publicações, oficinas e talks artísticos. Em 2019, os membros da REDIV se encontrarão em festivais no Paraguai e na Bolívia. Se planeja discutir a criação de uma nova plataforma online, além da implementação de um REDIV-Awards. Assim, os trabalhos latino-americanos de videodança e turnês poderão receber fomentos financeiros.

Conforme ressalta Silvina Szperling, do festival argentino VideoDanzaBA e coordenadora de comunicação da REDIV, a videodança latino-americana, ao contrário da europeia, sempre precisou ser produzida independentemente de recursos e de canais de televisão públicos.

«Atualmente também as vias europeias de produção e distribuição de videodança mudaram e mais festivais e redes vêm surgindo.»

Recentemente, a REDIV, elaborou um projeto de curadoria com trabalhos de coreografia. em colaboração com o Merce Cunningham Trust. O projeto «A figura-chave da screendance» tem sido apresentado em diferentes formatos: filme, documentário, publicação e performance. O projeto pode ser visto em todos os 24 festivais associados e também no FIVideodanza CDMX México, no MUMVI México, no Cuerpo Digital na Bolívia e no VII Festival Fiver, da Espanha, em parceria com o novo BAC Madrid #0 (Bienal de las Artes del Cuerpo, Imagen y Movimiento de Madrid). Este projeto também foi exibido no Festival Agite y Sirva, no México, e no Crear en Libertad, no Paraguai.

Em 2017 e 2018, os coreógrafos suíços Gilles Jobin e Jasmine Morand participaram dos festivais da REDIV a convite do COINCIDÊNCIA/Pro Helvetia.

Em 2019, a artista convidada pelo REDIV foi Nicole Seiler . A seguir uma entrevista com a coreógrafa sobre redes, turnês e videodança.

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Nicole Seiler, você é a artista convidada de 2019 pela Rede Ibero-americana de Videodança, REDIV, para os festivais do Paraguai e da Bolívia. Como você chegou à REDIV? 

A coreógrafa Jasmine Morand sugeriu meu nome à REDIV. É muito mais difícil encontrar um canal de comunicação aberto quando entro em contato, da Suíça, com festivais que não me conhecem. Eu passei por isso também em outros países: depois de apresentar trabalhos em algum lugar, outros convites surgiam.  

Em que medida estas redes trazem benefícios para você como artista?

O benefício é claro: com toda uma rede à disposição, a organização de uma turnê fica mais fácil. Agora, por exemplo, consegui combinar as atividades da REDIV com uma turnê pelo Brasil, o que foi ideal. Essa combinação é uma grande vantagem, especialmente considerando a questão climática. Assim é possível ser mais eficiente na organização e, também, nos trajetos. Pessoalmente, penso que três semanas é o tempo mínimo para eu passar em um continente. 

Você conhece alguma rede na Europa semelhante à REDIV? 

Em termos de videodança não conheço nenhuma rede parecida Já no caso da dança há muitos festivais na Suíça e também na Europa, em geral. Essa tendência de criar redes sempre existiu.  

O que significa a videodança para você? 

O termo «dança contemporânea» é muito abrangente para mim.  Eu vejo a videodança como vídeo artístico que tematiza um corpo em movimento no espaço. A câmera, no meu caso, normalmente tem pouquíssimo movimento, eu a vejo como uma moldura fixa, um palco ou um recorte. Mesmo assim, movimento e corpo, e a abstração de ambos é sempre algo central para mim. Acho que consideraria pouco enriquecedor criar peças apenas para o palco. Eu uso diferentes mídias, espaço público, instalações, teatro, multimídia e audiowalks. Dessa forma, a videodança é uma mídia que pode ser apresentada em contextos completamente diferentes. 

Paralelamente a uma retrospectiva quase completa de sua obra em vídeo, você está coordenando uma oficina para a REDIV. Qual o tema dessa oficina? 

Em trabalhos de videodança, podemos ver danças espetaculares com todo o tipo de movimento sendo dançado. Os corpos, em sua beleza integral, são encenados. Mas eu me interesso, já há bastante tempo, pelo que acontece antes, entre e depois dos momentos espetaculares. Por isso, a oficina se chama «inbetween». Durante três ou quatro dias nós vamos experimentar ideias em torno disso. Cada um dos participantes da oficina vai trabalhar em um filme que apresentará posteriormente. A REDIV me dá a liberdade de tematizar aquilo que me interessa.

E o que mostram estes momentos não espetaculares? 

Tiques de um atleta de ginástica artística antes de ele iniciar uma prova, por exemplo. Ou rostos e corpos concentrados. Quando eu sou a instrutora, todos ficam bem concentrados, inclusive no momento de improvisação. Mas assim que digo «chega por hoje», os rostos e movimentos se transformam. E são estes pequenos momentos, pouco espetaculares, que eu acho fascinantes.