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Arquitetura Arte sonora Turnê / Exibição

«ZIMOUN» Quando tudo é vibração

DATA
21 de Novembro – 26 de Janeiro de 2020

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MAIS INFORMACÕES
ZIMOUN

Movimento, repetição e interação são as principais ferramentas do trabalho de Zimoun para provocar nossa percepção. A partir do uso de materiais e elementos do cotidiano, como caixas de papelão, cordas e arruelas, o artista propõe máquinas satíricas que celebram o desordenado, o inútil e o absurdo.

Em sua maior exposição já realizada na América do Sul, no MAC de Santiago, com curadoria de Alessandra Burotto, Zimoun constrói em suas instalações uma partitura ao mesmo tempo sonora e arquitetural, entre a harmonia e o caos, entre o coreográfico e o casual. A serialidade em escala faz com que as mínimas interações que compõe seus trabalhos reverberem ao infinito, testando os limites da nossa percepção do espaço através da imagem e do som. Esse lugar vibrátil e ilimitado alcança uma frequência própria do contemporâneo, na qual visualidade e espacialidade se conformam em um espaço sensível. Como o próprio artista coloca em entrevista para o Coincidência:

“Nas minhas instalações, o que você ouve é o que vê e o que vê é o que ouve. Não é uma combinação de elementos acústicos e visuais, pois ambos têm a mesma fonte. Eles são uma única coisa: o material físico que se vê e o material físico que se ouve e cheira.”

Assim, Zimoun cria paisagens sonoras que desencadeiam experiências imersivas onde o público pode traçar os mais diversos paralelos. O próprio artista reconhece um universo de possibilidades a partir de suas obras:

“Para mim, as obras desencadeiam pensamentos, conexões, reflexões e associações em várias direções. Penso, por exemplo, sobre natureza, arquitetura, sociedade, ciência, filosofia, engenharia, tecnologia, comportamentos orgânicos, sistemas e organismos, só para mencionar alguns… Ou contrastes, como simplicidade e complexidade, caos e ordem, massa e individualidade, orgânico e artificial, precisão e imprecisão.”

O que poderíamos esperar do movimento mecânico não se confirma no trabalho de Zimoun. A repetição e o padrão serial são pra ele aberturas para um campo de fricções improváveis com o real. Por esse motivo, Zimoun não carrega seu trabalho de alegorias poéticas. Tudo está ao alcance do espectador, sem velatura. Até mesmo seus títulos não são nada além da descrição dos materiais utilizados; uma lista de tudo que compõe a instalação.

“Eu mantenho meus trabalhos muito reduzidos e crus. Dessa forma, eles funcionam mais como um código por trás das coisas, ao invés de criar uma conexão com um assunto ou tópico. (…) Eu crio meus trabalhos com base em muitos interesses diferentes reunidos, e eu mesmo os vejo e os entendo de muitas formas e em muitas camadas diferentes. A subjetividade é a base de como vemos, entendemos e não entendemos o mundo. Mas a percepção e a consciência são flexíveis e moldáveis. É muito interessante explorar e observar isso de todas as maneiras possíveis. Acredito que outros tipos de títulos limitariam os trabalhos em vários níveis e a linguagem, para mim, parece ser muito mais limitada do que as experiências em si. ”

O que poderia ser entendido como informação é, portanto, uma postura do artista que permite manter o nosso encontro com o trabalho o mais livre possível. Ao olhar para suas caixas de papelão agitadas, conversando entre si, produzindo uma espécie de voz coletiva temos curiosidade, achamos graça e reconhecemos seu potencial estético. Vibramos com elas e as assistimos como quem assiste um fenômeno da natureza. Deixamos de lado as representações e os signos e passamos rapidamente a entender o mundo como tremulações, rotações, giros, gravitações, danças e saltos.